Conheça aqui um resumo das atas das reuniões que resultaram na fundação de nossa escola.

A primeira reunião para a fusão das escolas do Morro do Salgueiro – Unidos do Salgueiro, Depois Eu Digo e Azul e Branco – foi realizada no dia 25 de fevereiro de 1953, após o carnaval daquele ano, na sede da Confedereção Brasileira das Escola de Samba. A idéia inicial era que a nova escola reunisse os sambistas das três escolas. No dia 2 de março, algumas divergências fizeram com que a Unidos do Salgueiro se retirasse das conversações (a escola ainda desfilou nos anos seguintes, mas desapareceria pouco tempo depois). Na reunião seguinte, em 5 de março, os sambistas da Depois Eu Digo e da Azul e Branco se reuniram na sede da Depois Eu Digo, no morro do Salgueiro, e fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Em 15 de março, em reunião complementar à de 5 de março, foram tomadas as últimas decisões sobre a nova escola, como a escolha do nome e da diretoria da nova agremiação. Agradecemos a Djalma Sabiá, um dos personagens mais ilustres da história do Salgueiro, que esteve presente às reuniões, e, gentilmente, cedeu à Diretoria Cultual as cópias das atas de fundação dos Acadêmicos do Salgueiro. 25 de fevereiro de 1953 – Confederação Brasileira das Escolas de Samba Ata da sessão extraordinária realizada em 25 de fevereiro de 1953 na sede social da Confederação Brasileira das Escolas de Samba, na rua Uruguaiana, 113 – 2º andar, tendo com finalidade registrar os atos do primeiro entendimento das diretorias das escolas de samba do Morro do Salgueiro com a finalidade de fazer a fusão e ficar só uma escola de samba representando o Salgueiro. Presentes as seguintes pessoas: presidente da Azul e Branco, Eduardo Santos Teixeira, presidente da Depois eu Digo, Paulino de Oliveira, presidente da Unidos do Salgueiro, Joaquim Casemiro, presidente da C.B.E.S., Oscar Messias Cardoso, e demais – Manoel Vicente de Oliveira, Waldemar dos Santos, Durval Antônio de Jesus, Joviniano de Oliveira, Pedro Ceciliano e José da Silva.

O Sr. Casemiro, iniciando seu discurso, disse que foi com o maior prazer que recebeu o oficio dirigido pelo companheiro Alcides para esta reunião, cuja finalidade era o seu maior desejo e visto que já no ano passado fizeram esta tentativa e nada conseguiram. Depois que recebeu em suas mãos o convite de seu companheiro, reuniu imediatamente sua massa, deram rápida deliberação e aqui voltou e voltaria quantas vezes fosse preciso para realizar esta fusão e trazer oficialmente todo o apoio da E. S. Unidos do Salgueiro. A seguir, o Sr. Paulino de Oliveira também se referiu à proposta anterior, quando nada pôde conseguir no passado para aderir à fusão, mas agora, respeitando a decisão desta mesma massa, ele, o presidente, não via outra coisa a não ser a fusão. A seguir tem a palavra o Sr. Eduardo que, muito breve e decidido, disse: “Senhores, estou de acordo com a fusão para que o Salgueiro vá sempre para frente e não para trás”. Da cor O presidente da mesa propõe então tratar da cor. Sr. Casemiro pede a palavra e propõe eliminar por completo as cores que já existem no morro. O Sr. Eduardo concorda com qualquer cor que seja de comum acordo, mas faz sentir que continua com a sua cor e com o seu Sport Azul e Branco, que tem um estatuto e registro esportivo. O senhor presidente responde então que o Sport nada tem a ver com o samba. Todos apóiam e o presidente propõe as cores verde e amarela. O carnavalesco do Azul e Branco manifesta-se e faz uma advertência sobre a proibição por lei desta cor em conjunto recreativo. Senhor Manoel de Oliveira faz uma composição das três cores em conjunto – verde, azul e rosa -, mesmo porque não concorda com uma cor estranha. Senhor Eduardo acha muitas cores juntas, mas o Sr. Manoel defende, dizendo que depende de saber armar e todas aparecerem distintamente. O carnavalesco do Azul e Branco sugere alternar de ano para ano as combinações das cores no conjunto. Sr. Eduardo não concorda. Prefere cor fixa e nada que faça complicações. Senhor Casemiro discorda das três cores e acha que devem ser duas cores e propõe reforçar a proposta do Sr. Presidente (verde e amarelo). Senhor Waldemar acha que devem desaparecer todas as cores existentes. Sr. Manoel propõe votação da cor. Sr. Presidente apresenta então as duas propostas: tricolor (verde, azul e rosa) e verde e amarelo. Sr. Casemiro propõe verde e amarelo contra a proposta tricolor e explica que propôs a massa esta cor tricolor e que pela mesma foi reprovada. Sr. Joviniano sustenta que não concorda com o verde e amarelo porque já teve esta cor no Morro. Sr. Presidente estão invoca aos diretores a aprovação das cores. Sr. Casemiro vota em verde e amarelo, Sr. Manoel e o Sr. Joviniano votam em branco, Sr. Pedro e José da Letra, verde e amarela, Sr. Durval também verde e amarelo. Sr. Presidente aprova de acordo com a maioria, vencendo, assim, o verde e amarelo. Da forma de diretoria O Sr. Presidente propõe que para formar a diretoria cada Escola apresente cinco diretores. Sr. Casemiro acha que não se pode dispensar este ou aquele ou menos prezar os outros, Sr. Presidente acha que na sessão seguintes podem trazer os cincos nomes e então formar a diretoria. Do nome da entidade O Senhor presidente invoca aos presentes o nome da entidade e ele mesmo propõe “Milionários do Salgueiro”. Senhor Paulino propõe “Salgueiro Capital do Samba”, Sr. Pedro, “Unidos Acadêmicos”, Sr. Eduardo, “Acadêmicos do Salgueiro”. O Sr. Secretario pede ao Sr. Casemiro para realizar esta proposta porque em particulares conversações com as massas em geral foi condenado o nome de União. Sr. Casemiro diz que este nome já estava aprovado pela massa que ele representa, mas para congratular com o companheiro Alcides retirava a proposta de união e então propõe “Academia do Salgueiro”. Sr. Manoel propõe a “Voz do Salgueiro”, Sr. Waldemar congratula com o Sr. Manoel pela “Voz do Salgueiro”, porque este também era o seu ideal, mas que retirava a proposta em benefício das massas. Sr. Paulino reforça a proposta do Sr. Eduardo e Casemiro (“Academia do Salgueiro”) e sugere que seja posto em votação, dizendo que União já é um nome demais conhecido e até mesmo corriqueiro e por isso ele também aprovava “Academia do Salgueiro”. Sr. Waldemar pede desculpas ao Sr. Secretario, contrariando a própria decisão do Sr. Casemiro. O presidente da escola, diz que em nome da democracia que a massa é que deve votar e renuncia a “Voz do Salgueiro” em benefício de “União do Salgueiro” que é a proposta da massa. O Sr. Presidente suspende a sessão por cinco minutos a fim de arranjarem outro nome. Sr. Casemiro, ao fim do intervalo, propõe novamente o nome “Acadêmicos do Salgueiro”, que, submetido à aprovação, foi aprovado. Pedro Ceciliano diz que já fala em nome do Salgueiro e pede que todos os diretores de cada escola que possuam materiais de samba devem doá-lo para a nova entidade. Pede aos compositores que não se afastem, pois todos serão necessários. Sr. José da Silva exalta também a grandeza desta união. O presidente Tupy de Mendonça saúda em nome da C.B.E.S. e diz, em nome da entidade, que esta unificação honra o Salgueiro e também dignifica os sambistas e que eles, acordando com nome de “Acadêmicos do Salgueiro”, glorificarão a grandeza de nossa música e nosso samba com a bandeira de cor verde e amarela. Sr. Casemiro convida a todos para darem o choque na cidade em desfile no Arsenal de Marinha “porque, inegavelmente, o samba está no Salgueiro”, e pede a massa para se esquecer o nome de “Azul e Branco”, “Depois eu Digo” e “Unidos do Salgueiro”.

27 de fevereiro de 1953 – Confederação Brasileira das Escolas de Samba

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