Eis… o malandro “no palco” outra vez.

Vem chegando assim de viés,

Sambando miudinho, dizendo no pé!

Pisa suave, riscando no asfalto os passos de uma ópera bem carioca.

Uma obra em seis atos, embalada por um samba em homenagem

à nata da malandragem.

Por isso, se segura, malandro!!

Vem aí…

 

SALGUEIRO 2016

 

A ÓPERA DOS MALANDROS

 

Malandro…

É o tipo que entra faceiro na roda, abre o jogo e fecha com os seus.

 É o Rei da Ginga, Rei da Noite, o Barão da Ralé!

Sagaz, invoca os personagens de um Rio lírico, nesta ópera tão pomposa

que só um malandro poderia sonhar.

(Ou tão ordinária que qualquer mendigo poderia pagar).

 

Malandro…

Vai flanando triunfal por entre deuses e meretrizes, rainhas e monarcas…

Delirantes fidalgos desta magnífica ópera das ruas.

É aquele que faz das calçadas o palco das ilusões.

Atento, não dorme no ponto nem cochila na linha.

E só baixa a guarda quando o sol dá o ar de sua graça.

 

Malandro…

É o mestre-sala das alcovas.

O bailarino dos salões, o cavaleiro errante dos morros cariocas.

Atua nas madrugadas, caminhando na ponta dos pés, como quem pisa nos corações.

À luz do abajour, ama a todas que quiser.

Das muchachas de Copacabana às mimosas da Praça Tiradentes.

 

Malandro…

Dono deum jeito manso que é só seu de aparar os dilemas da vida no fio da navalha.

É o sujeito cordial que desfila macio entre dados, cartas e roletas.

É o rei de todos os naipes num carteado de damas, valetes e coringas.

Aquele que, mesmo quando o jogo vira contra, nunca joga a toalha.

Porque é o filho gerado no ventre da sorte, a imperatriz do mundo!

 

Malandro…

É o pensador dos botequins, filósofo das mesas de bar!

O dono de um mundo que aprendeu a domar.

Poeta, comanda o cortejo na cadência bonita do samba vadio

que o luar lhe emprestou.

 

Malandro…

Um homem de fé, que fecha o corpo e abre os caminhos ao próprio destino.

Que não foge à luta e que pede a paz!

Entidade saudada em mojibás, laroiês e saravás.

É aquele que entra na gira pra fazer o mundo girar.

Que guia a roda na palma da mão para sua gente ir adiante.

É o dono da rua que vive na alma de cada carioca da gema,

povo que “TRABALHA PACA”!!

Que vai pro batente de todo dia chacoalhando guias e cordões no trem da Central.

 

Malandro…

Astro maior desta ópera

Que segue rumo ao ato derradeiro.

 

E quando a luz se apagar…

A orquestra silenciar…

A poeira assentar no chão…

A plateia, de pé, em delírio…

Bate palma e pede bis!

Pois, a cada carnaval, ele renasce no coração de todo bamba.

Afinal, malandro que é malandro nunca sai de cena…

Vira samba!

 

                                                                 

 

Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage

Enredo: Diretoria Cultural G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro

 

 

Enredo livremente inspirado na

obra  “A Ópera do Malandro”

de Chico  Buarque de Hollanda.

 

Setores:

1º Ato (Abertura): A NATA DA MALANDRAGEM

2º Ato: A ÓPERA CARIOCA

3º Ato: … PRA SE VIVER DE AMOR

4º Ato: ENTRE DADOS, CARTAS E ROLETAS

5º Ato: FILOSOFIA DA MALANDRAGEM

6º Ato: APOTEOSE AO MALANDRO DE FÉ E DE PAZ

 

 

Confira a letra do Samba 2016:

Laroiê, mojubá, axé!
Salve o povo de fé, me dê licença!
Eu vou pra rua que a lua me chamou
Refletida em meu chapéu
O rei da noite eu sou
Num palco sob as estrelas
De linho branco vou me apresentar
Malandro descendo a ladeira… Ê, zé!
Da ginga e do bicolor no pé
“Pra se viver do amor” pelas calçadas
Um mestre-sala das madrugadas

Ê, filho da sorte eu sou
Vento sopra a meu favor
Gira sorte, gira mundo, malandro deixa girar
Quem dá as cartas sou eu, pode apostar!

O samba vadio, meu povo a cantar
Dia a dia, bar em bar
Eis minha filosofia
Nos braços da boemia, me deixo levar…
Eu vou por becos e vielas
Chegou o barão das favelas
Quem me protege não dorme
Meu santo é forte, é quem me guia
Na luta de cada manhã
Um mensageiro da paz
De larôs e saravás

É que eu sou malandro, batuqueiro
Cria lá do morro do salgueiro
Se não acredita, vem no meu samba pra ver
O couro vai comer!

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