Sinopse
O REI NEGRO DO PICADEIRO

Nasci livre! 01

Sou filho do “Negro Malaquias”, sujeito danado de brabo, que caçava os “fujão” da fazenda do
sinhô e da sinhá, que até eram “bão”. E minha mãe, Leandra, era cativa de estimação.

Um dia o circo chegou lá na Vila 02 , eu levava broa de milho para vender na entrada; tinha uns
doze anos e resolvi fugir. O picadeiro representava liberdade, sonho e fantasia. Antes que me
esqueça, meu nome é Benjamim Chaves, mas meu pai me chamava de “Beijo”, “Moleque
Beijo”.

Parti no Circo Sotero. Lá, a obrigação da meninada, era aprender desde cedo, todas as tarefas.
Mesmo eu, que era um agregado, aprendi debaixo de castigo, a cuidar dos animais; todas as
acrobacias e outras coisas mais…

“A mãe da arte de todos os números é o salto” e eu dei um salto na vida. Tem que aprender a
cair, pra saber levantar.

Aprendi muito com o “Mestre Severino” e adotei seu sobrenome, agora pode me chamar de
Benjamim de Oliveira. Mas entre sonho e realidade, vida de “beijo” é difícil, é difícil como o
quê… E de tanto apanhar, fugi de novo. Meu destino era fugir, destino de negro…

Fui atrás de uma caravana de ciganos, mas “quá” 03 , “num” é que os “ladino” 04 queriam me
trocar por cavalo?

Fugi e fui pego por um fazendeiro, provei que era circense e ele me deixou seguir viagem.

E de circo em circo, substituí o palhaço principal, que estava doente, no Circo frutuoso,
começando aí minha história…

A noite começava a fervilhar nas cidades grandes, eram novos tempos, teatros, café-concerto,
a elite buscava o teatro sério e o “Zé Povo”, o que fosse mais ligeiro, encontrava no circo o
divertimento que queriam. “Todo artista tem de ir aonde o povo está!”

Minha popularidade crescia, uma vez até o presidente, o marechal de ferro, Floriano Peixoto,
por eu cantar e dançar chulas 05 foi lá me cumprimentar 06 .

No Spinelli lancei a forma de teatro combinado com circo que chamariam pavilhão. Comédias,
paródias e a arte de representar por gestos, sem palavras. Fizemos clássicos, como Otello 07 ;
farsas, melodramas, operetas como A Viúva Alegre 08 , até uma paródia de O Guarani 09 , que
acabou projetado nas telas, o cinema surgia na bela época 10. O primeiro Momo, que seria mais
tarde, a representação do “Rei da Folia”, foi pela primeira vez, representado por mim, na
minha opereta fantástica O Cupido do Oriente. Assim como inúmeras peças, de minha autoria.

Fui ator, diretor, autor, produtor, dançarino, compositor, cantor (até gravei discos), e palhaço
sim senhor! O PRIMEIRO PALHAÇO NEGRO DO BRASIL! E o palhaço o que é? E o que fui? Uai?!
Acima de tudo: Um artista brasileiro!!!

Abram as cortinas, acendam as luzes, que o show tem que continuar! Respeitável público,
minhas senhoras e meus senhores, nessa passarela/picadeiro, o meu querido Salgueiro vai
apresentar: Novos Benjamins do circo, teatro, cinema e televisão, com o aplauso “d’ocês”!

Despeço-me com um “Beijo” do “Moleque” e o meu muito obrigado!!!

Alex de Souza
Carnavalesco

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